| Pães Brasileiros |
| Ter, 08 de Novembro de 2011 14:14 | ||
No Brasil, foi um dos primeiros mantimentos trazidos pelos portugueses que aqui aportaram, em 1500. Antes disso, o pão dos índios era o beiju, feito de amido da mandioca. O de trigo só se tornou popular mesmo a partir do século XIX, quando as padarias se multiplicaram no Rio de Janeiro. A criação do primeiro moinho de farinha brasileiro, em 1900, no bairro do Brás, em São Paulo, pelo conde Francisco Matarazzo, impulsionou a produção na cidade. Até então, só havia o pão italiano, feito através da fermentação da própria massa e amassado manualmente. O pãozinho francês foi chamado assim por ser uma versão reduzida da bengala, cópia da baguette francesa, portanto, considerado mais refinado. Mas o que se comia pelo Brasil antes da fama do pão francês se alastrar? A oferta era variada. Fazia-se a broa de milho, um clássico luso-brasileiro que mistura farinhas de trigo e de milho, açúcar, ovos, manteiga, sal, erva-doce e leite, e que originou outras versões, como a broa de fubá mineira. Também se preparava vários pães de mandioca, salgados e doces. E, ainda, os de abóbora e batata. Hoje, o consumo do pão branco de trigo no café da manhã é dominante no Brasil, principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Mas nas zonas rurais e pequenas cidades ainda se faz algumas receitas de pães tradicionais. No Sul também é muito comum encontar pão de aipim (mandioca), um clássico entre as receitas da colônia alemã. Na região, consome-se ainda o chamado pão colonial italiano, feito de farinha de trigo, fermento caseiro, banha e gordura. As cozinhas caipiras de Minas Gerais e São Paulo têm entre as receitas de fazenda, o típico pão de queijo, feito de polvilho e queijo mineiro (da Canastra, do Serro ou do Salitre); a rosca trançada de mandioca; e a famosa rosca rainha, preparada com farinha de trigo, açúcar, ovos e leite, também muito apreciadas no Centro-Oeste junto com a de cará. No Nordeste, o produto concorre com outros acepipes tradicionais e muito apreciados como a banana cozida, a tapioca e o cuscuz de milho, considerado o “pão da mesa do nordestino”. Tanto que nessa região a farinha de trigo ainda é chamada de “farinha do reino”, em alusão à colonização portuguesa. Nos anos de 1990, o pãozinho começou a dividir espaço com tipos estrangeiros, como a baguete francesa e a ciabatta italiana, resultando numa diversidade maior nas padarias. E hoje vivemos um momento feliz em que as receitas brasileiras artesanais estão sendo resgatadas e, muitas vezes, reinventadas. Mas nas grandes cidades, o pãozinho com manteiga continua sendo o preferido da maioria. Talvez porque nos remeta à infância e, no meu caso, à mesa cheia toda manhã. Certamente porque sua casquinha crocante é irresistível. Seja qual for sua composição, o pão é alimento sagrado, que se reparte e se multiplica, alimentando toda a família. |

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AOS DEMOCRATAS DR. PEDROSA
AOS DEMOCRATAS PUB D. PEDRO II
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